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Apenas uma em cada três mulheres vítimas de violência doméstica procura a Polícia 12 de Março 6H:10
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Apenas uma em cada três mulheres vítimas de violência doméstica procura a Polícia

Ao mesmo tempo em que as mulheres demonstram ter mais consciência da violência doméstica, uma parcela menor de vítimas tem procurado delegacias e centros de referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência.

É o que aponta pesquisa qualitativa inédita Aprofundando o Olhar sobre o Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, realizada pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) em conjunto com o Instituto de Pesquisa DataSenado.

De acordo com o levantamento, que entrevistou 19 autoridades vinculadas a órgãos atuantes no enfrentamento à violência contra as mulheres, os serviços de apoio a mulheres vítimas de violência e campanhas de esclarecimento sobre os direitos das mulheres têm permitido que mais brasileiras reconheçam e denunciem agressões sofridas no ambiente doméstico.

Mas apenas uma em cada três mulheres afirmou ter buscado a intervenção do Estado para enfrentar a violência sofrida.

O estudo é um desdobramento da edição de 2017 da Pesquisa Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada pelo DataSenado, em parceria com o OMV que apontou aumento expressivo no percentual de mulheres que declararam ter sofrido algum tipo de violência doméstica.

De acordo com o levantamento, de 2015 para 2017, o índice passou de 18% para 29%. A pesquisa, feita a cada dois anos desde 2005, sempre apontou resultados entre 15% e 19%.

Medo e Dependência
A elevação no número de mulheres que declararam ter sido vítimas de algum tipo de violência doméstica registrada em 2017 não significa necessariamente um crescimento real dos casos, mas revela que as mulheres reconhecem mais as agressões sofridas, conforme a nova pesquisa.

Ao mesmo tempo, um percentual menor de mulheres afirma ter procurado ajuda: subiu de 15%, em 2013, para a 27%, em 2017, o percentual de brasileiras que afirmou não ter tomado qualquer atitude após a última agressão sofrida.

De acordo com a nova pesquisa, as ví­ti­mas muitas vezes deixam de denunciar a agressão por dependerem economicamente do autor da violência, por medo de não conseguirem sustentar a si e a seus filhos.

Ou ainda, nos casos em que não há dependência econômica, por vergonha da reação da família, dos amigos e da sociedade em geral.

De acordo com vários especialistas entrevistados para a pesquisa, a ligação afetiva com o agressor e o medo de represálias são outros fatores que impedem uma mulher de denunciar.

Desconfiança
Outra dificuldade para rom­per o ci­clo de vi­o­lên­cia do­més­ti­ca está na desconfiança de muitas mulheres em relação as medidas restritivas previstas na Lei Maria da Penha e na prestação de serviços por parte do Estado: 20% das mulheres entrevistadas acreditam que a Lei Maria da Penha não protege as mulheres enquanto 53% delas afirmaram que a lei protege apenas em parte.

O DataSenado é vinculado à Secretaria de Transparência do Senado.

*Com informações da Agência Senado

Foto: Pablo Valadares/Agência Senado

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