Água: um compromisso de todos

08/09/2017 06:15:29 por Max Augusto em ARTIGOS

Governador de São Paulo cede bombas para captação de água à Sergipe

“A gratidão é a virtude da posteridade”, escreveu o grande poeta e jurista sergipano Tobias Barreto (1839-1889), patrono da cadeira número 38 da Academia Brasileira de Letras.


São Paulo tem uma dívida histórica de gratidão com os nordestinos, que ao longo das décadas deram de tantas maneiras sua contribuição para o desenvolvimento do nosso Estado. Este é o momento de pagar uma fração dessa dívida.

Há três anos, São Paulo enfrentou uma dura estiagem. O período entre o final de 2013 e setembro de 2015 foi marcado pela mais grave seca já registrada na história da Região Metropolitana de São Paulo, comprometendo o abastecimento em um dos maiores aglomerados populacionais do planeta.

No auge da crise, o governo paulista investiu em um sistema de bombas flutuantes que permitiu a captação do chamado “volume morto” do Sistema Cantareira, na Grande São Paulo, garantindo o abastecimento.

Dois conjuntos dessas bombas vão agora ajudar a Região Metropolitana de Aracaju a enfrentar a estiagem. Nesta segunda-feira (11), São Paulo recebe o governador de Sergipe, Jackson Barreto, para assinatura do termo de cessão do equipamento, avaliado em R$ 1,023 milhão, que vai ser emprestado pela Sabesp à Companhia de Abastecimento de Sergipe (Deso) por seis meses, sem qualquer custo.

A estiagem no Nordeste já dura 5 anos e provocou uma drástica redução de vazão do Rio São Francisco. Diante do quadro, o sistema que abastece a Região Metropolitana de Aracaju está no limite.
Com capacidade de bombear até 2 mil litros de água por segundo, os novos equipamentos vão garantir a continuidade operacional da Adutora do São Francisco, principal meio de captação de água da capital sergipana.

A Sabesp já compartilhou a experiência adquirida com a superação da crise hídrica com outros Estados do Nordeste e também com o Distrito Federal. Em dezembro do ano passado, a empresa cedeu ao Ministério da Integração Nacional uma série de equipamentos, entre eles quatro conjuntos de bombas semelhantes aos agora emprestados para Sergipe. O material foi utilizado para agilizar a transposição do Rio São Francisco.

As bombas foram instaladas no reservatório de Braúnas, na cidade pernambucana de Floresta, no eixo leste do Projeto de Integração do São Francisco. Em março a água começou a abastecer as casas de mais de 35 mil pernambucanos em Sertânia e de 33 mil paraibanos em Monteiro.


No mês seguinte, as águas do São Francisco chegaram ao reservatório Epitácio Pessoa, dando condições para que o racionamento em Campina Grande (PB) fosse reduzido. Como agora, a Sabesp forneceu toda a estrutura necessária para a operação do sistema.


No mês passado o empréstimo foi renovado – os equipamentos serão transferidos para o eixo norte, para acelerar o curso das águas para a Região Metropolitana de Fortaleza. A iniciativa vai beneficiar não só o Ceará, como também Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Em julho, o governo de São Paulo também emprestou três válvulas e equipamentos para conexão de tubulações da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).


O material é usado para permitir a transferência de água entre os sistemas que abastecem Brasília e as cidades-satélite.

São Paulo não só superou o problema da seca, como saiu dele com um sistema maior e mais preparado. A capacidade de armazenamento da região metropolitana aumentou 164 mil m³ e o investimento chegou a R$ 130 milhões.

A gestão eficiente dos recursos hídricos do país deve ser um compromisso de todos. Diante das dificuldades enfrentadas, o compartilhamento das experiências é o melhor caminho para a superação do grande desafio, que é oferecer água e de qualidade para os que precisam.

Geraldo Alckmin – governador do estado de São Paulo

 

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