Poder e Cotidiano em Sergipe
5 de Outubro 14H:21

O GRITO DE JACKSON

A situação crítica do moribundo Rio São Francisco acordou o governador Jackson Barreto que tomou a iniciativa de convidar o governador de Alagoas, Renan Filho, para avaliarem a crise hídrica que o abandono do rio está provocando. Em Penedo, os governadores puderam sentir “in loco” o quanto é preocupante o domínio do rio pela CHESF, com o aval da Agência Nacional de Águas – ANA e do Operador Nacional de Energia Elétrica – ONS, órgãos esses que considero os maiores predadores do rio, pois, nada fazem para replantar a floresta que outrora havia ao longo do rio e de seus afluentes.

As florestas, está provado, fabricam seu próprio regime de chuvas. Sem floresta não há chuva e é exatamente por isso que o rio São Francisco está secando. Alguém sabe dizer em qual deserto chove? Historicamente, só começa a chover na bacia do São Francisco a partir de dezembro, quando então a Barragem de Sobradinho, que forma o segundo maior lago artificial do mundo, já estará seca, o que obrigará a se utilizar do seu “volume morto”. Esse lago, junto com o formado pela barragem de Três Marias, é considerado os pulmões de todo o sistema implantado para a geração de energia.

Mas, o que se tem observado é que o volume de chuvas tem sido menor a cada ano que passa, deixando esses lagos com uma acumulação bem abaixo do esperado. Na minha opinião, motivado pela retirada crescente das florestas e das matas ciliares, o que aumenta a desertificação e o assoreamento do rio e de seus afluentes.

O governador Jackson foi ao encontro munido de estudos que apontam prejuízos na receita do Estado de Sergipe pela queda da geração da Usina de Xingó, e, de despesas que a DESO vem enfrentando para poder manter o bombeamento das quatro adutoras que formam os sistemas integrados do Alto Sertão, Semiárido, Sertaneja, e São Francisco, responsáveis por 70% do abastecimento público de nosso Estado.

A imprensa registrou em manchetes o pronunciamento que fez o governador. Um grito rouco, sem potência, ainda apenas um grito crítico de alerta, mas, que serviu para que os sergipanos soubessem que o governador acordou para o problema, pois, o Estado de Sergipe não pode ficar à mercê do imponderável!

É urgente que se encontre uma solução para as captações das referidas adutoras, que foram executadas antes da existência da Usina de Xingó, no tempo em que o rio tinha uma vazão regularizada de 2.650 m3/s. As vazões liberadas vêm, desde muito, “ladeira abaixo” e estão ameaçando um colapso no abastecimento de água de nosso Estado, hoje chegando a 540m3/s, e, assim, impedindo que se tenha submergência para as bombas. Acrescente-se que a salinização do rio, pelo avanço do oceano, está batendo à porta. Já avançou sobre Piaçabuçu e está em Penedo. Com o tempo poderá chegar a Propriá e o caos se instalará em Aracaju e sua região Metropolitana onde vivem cerca de um milhão de pessoas.

A atitude do nosso governador é louvável, ante o sono profundo em que se encontram os governadores de Estados mais poderosos, também banhados pelo rio, a citar, Minas, Bahia e Pernambuco, calados que estão, como se alguma mordaça lhes impedisse de gritarem, de exigirem a propalada revitalização do rio São Francisco.

Enquanto isso, o que fazer? Só há um jeito, “dançar conforme a música” e salvaguardar nossa população levando nossas captações para o reservatório de Xingó. Precisamos de, apenas, 10 m3/s, dos 540m3/s hoje liberados por Xingó e que são despejados no mar. Para tanto, apresentei a ideia de um projeto que denominei de “Linha Mestra Xingó”, exposta no livro de mesmo nome e que poderia aproveitar toda a infraestrutura já instalada do projeto Jacaré-Curituba, sem causar nenhum prejuízo a esse sistema. Essa é a hora de reivindicar!

Parabéns governador Jackson Barreto! Bravo!

Renato Conde Garcia, engenheiro e ex-presidente da Deso

Foto: Fabio Pozzebom/Abr

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